Esclerodermia

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Acho que a-g-o-r-a encerrei todas que terminam na categoria “mia”! Depois da pneumonia e dá leucemia, agora é a vez da Esclerodermia. Faltam algumas figurinhas pra completar as “ite” e as “eia”. hahaha.

Esse ano de 2015 já deu um time de futsal:

Sai: Leucemia

                                                Entra: Esclerodermia

2) Dengue Hemorrágica            3) Hérpes Zóster                      4) Catapora                

                                                     1) H1N1

Uma doença que parece nome de álbum de Rock, né não?

Bom, vamos às formalidades e apresentações, pois é muita falta de educação deixar de apresentar aquele (ou aquela) das quais nos dignamos a falar a respeito.

Antes disso, mas falando nisso, dia 11/11, próxima quarta-feira, estarei comemorando MUITO os 2 anos do transplante de medula óssea que me devolveu a vida à vista, e a saúde em suaves prestações mensais. Nada mais justo: consumo racionado da vida. Ou seria estocagem do vento? Desculpem, foco Gabriel!

E é nesse ponto que chegamos. O transplante de medula, um dos maiores procedimentos que um ser humano pode ser submetido guarda lá as suas surpresas, que vão contra tudo o que conhecemos pelo senso comum.

Por exemplo, sabiam que um transplantando de medula ter uma quantidade moderada de rejeição (que eles chamam de GVHD) pode funcionar com um importante mecanismo de defesa para evitar a volta da doença?

Sim, por incrível que pareça, a constante “briga de cumpadi”  das células da minha doadora e meu organismo evitam o campo limpo e a arejado para a doença se reorganizar. Não é demais?

É como se fosse um seguro. Você paga por ele, nunca quer acionar, mas fica tranquilo ao saber que SE PRECISAR, ele estará lá para ter dar cobertura. Refiro-me à seguro de carro, de casa, viu gente? Pois seguro-saúde nem sempre contempla garantias tããão generosas… rsrsrs

No meu caso, a rejeição está se manifestando em forma de esclerodermia sistêmica. Conceito na galera, com meus pitacos pois não sou de ferro:

“Existem dois tipos de esclerodermia (que significa “pele dura”): a forma sistêmica (esclerose sistêmica), que afeta os órgãos e sistemas internos do organismo, além da pele [É NÓIS] e a localizada, que afeta uma área determinada da pele.

Os adultos, especialmente as mulheres [TINHA QUE SER EU, CÉLULAS FEMININAS E TALS, NÉ ELZA…], têm maior propensão a desenvolver a esclerose sistêmica, enquanto a esclerodermia localizada é mais comum em crianças.

Acredita-se que haja uma base genética para a doença, pois a ocorrência é mais comum entre pessoas que têm familiares com outras doenças autoimunes, como o lúpus. Em alguns casos, existe mais de um familiar com esclerose sistêmica, embora, em geral, somente um membro da família seja afetado.

Existem dois tipos de esclerose sistêmica: a cutânea limitada e a cutânea difusa. A diferença entre elas está na extensão do acometimento da pele. Na esclerose sistêmica limitada, o espessamento da pele envolve somente mãos e antebraços, pernas e pés. [É  A NOSSA]

Fonte: https://www.hospitalsiriolibanes.org.br/hospital/especialidades/reumatologia/Paginas/esclerodermia.aspx

Resumo da ópera: a rejeição se deu em mim desta forma, com enrijecimento de partes da pele nas pernas, abdômen e costas, e que se não tratado, pode evoluir para o tórax, dificultando a inspiração (que aliás não tem faltado né amor?? rsrs). É o meu Protex contra a leucemia. 

Mas por quê está internado uai? Bom, para tratar essa rejeição, entrei em um esquema de tratamento pesado que envolve muitos corticoides, imunosupressores, e aí vem junto um batalhão antiaéreo, com antibiótico, antiviral, antibacteriano e anticorinthiano, ops, sem esse último, pois esse já foi esse ano, deu pra pegar não…

Deem uma olhada na jornada 100 comprimidos da semana (nessa tabela ainda faltam alguns….)

remédios

E foi da conjugação de 2 desses remédios que veio o motivo desta internação. A associação entre altas doses de corticoide e antibiótico geraram uma dor nas pernas que não estava resistindo a controle nem por doses de morfina! Uma dor 10 em 10. E olha que morfina é niceeeeeee, rsrsr.

O fato é que tenho um novo tratamento à vista. Um rabisquinho na agenda perto do que já passei. Na prática, um protocolo para não deixar a esclerodermia avançar, tratamento que vai de 9 meses a 2 anos, sem nenhuma alteração importante na qualidade de vida. O que sabemos é que vou inchar um bocado por causa dos corticoides, e poderei a médio prazo ganhar apelidos mais volumosos do que Salsicha ou outros enlatados afins. Kiko? Fofão? Daí pra baixo!

Logo logo estou de volta pra casa… #ahhhhesseanoeuchupomanga

Estou em São Paulo, onde fiz meu tratamento. E quando vejo que os novos leitos do Hospital são maiores que o meu apartamento, só penso como não seria bom se todos nós brasileiros corretos e pagadores de impostos pudéssemos tratar nossas doenças em ambientes como esses. Ah, se a CPMF servisse pra isso!! Seria o primeiro a apoiar. Eu até comeria o vento por isso!

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Se Deus me concedesse um desejo, eu desejaria que todos os enfermos desse país tivessem condições de lutar e expressar sua garra pela vida em um ambiente que não precisa ser refinado, mas limpo, adequado, com profissionais habilitados e que possam ser os braços de Deus para permitir o milagre acontecer. Utopia? Talvez… mas os grandes sonhos, assim como o conhecimento, NINGUÉM tira da gente, nem o banco!

Só não falo em Hospital Padrão FIFA, pois esse último já pegou 20 anos na Papuda!

Sou muito grato e fui um grande privilegiado por ter tido acesso a isso tudo, por saber o valor que isso representa, mas enquanto estiver recebendo as duplicatas da vida para saldar, procurarei fazer minha parte, como voluntário, como profissional remunerado do direito, como cidadão e como homem.

Aproveitando, Arnaldo, obrigado por ajudar Uberlândia na aprovação da expansão dos Hospital do Câncer.

Meninos do Salve Mais Um, obrigado pela inspiração e pelos projetos que estamos conseguindo viabilizar juntos. Projetos de vida. Tem uma charge perdida aí hein? Logo logo saberão! Obrigado Júlio para parceria profissional e de exemplos. Tenho muito orgulho de poder viver e prover minha família a partir dos trabalhos que temos desenvolvido em conjunto. Obrigado RibeiroSilva pelo esteio, confiança e pelos 8 anos de parceria.

Obrigado família querida. Obrigado a vida. E pre-pa-ra que vamos esclerodermizar!!!!!

esclerodermia

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Um susto daqueles… 6 mil plaquetas, transfusões e uma nova história…

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6 mil plaquetas. Para quem já teve alguma doença hematológica, sabe o que é isso. Essa quantidade representa um limite extraordinariamente crítico (uma pessoa normal tem de 150 a 450 mil plaquetas). Na última vez que cheguei a esse “volume morto”, a minha Cantareira ostentava nada mais nada menos que 97% de células cancerígenas.

E como “bons” seres humanos, a primeira coisa que pensamos: “iiiiiiii, deu *&#% de novo!!!”

Mas dessa vez o pão caiu com a manteiga para cima. Graças a Deus a torneira de plaquetas ficou aberta por motivos desconhecidos, mas que não tem relação com a medula óssea.

Mesmo esbanjando confiança, sempre fica aquela dúvida cruel: “Será que vamos ter que começar tudo de novo, DE NOVO !!?”

Algumas pinceladas desse sentimento tiveram início quando os médicos pediram os famosos exames na medula. Mas posso falar de peito cheio: em nenhum momento deixei de pensar positivamente.

Ah, os transplantados!! Torcemos para ser dengue, vírus ou até super bactérias. Não sendo a nossa doença de base, vale qualquer coisa. Como diria a célebre frase, “torcemos até contra o vento”. Alívio, é a palavra da vez, junto com muito agradecimento a Deus.

Mas essa nova situação chamou a atenção para algo muito importante, que responde pelo nome de PLAQUETAS. A maioria de vocês já conhece a nossa rede social SALVE MAIS UM, e a efetividade que estamos humildemente conseguindo com muitas doações de sangue. Mas temos talvez negligenciado – ou ao menos dado menos atenção do que se deve – à doação de plaquetas, que por ser pouco difundida, muitas vezes tem poucas doações, e não raramente falta em nossos hemocentros.

Para se ter uma ideia, para fazer uma bolsa de plaquetas, são necessários até 10 doadores de sangue. Agora, quando a pessoa doa as plaquetas diretamente, a proporção passa a ser de 1 doador para 1 bolsa, e de melhor qualidade para o paciente.

As únicas diferenças para quem vai doar é que o procedimento demora mais um pouquinho se comparado a doação de sangue. A outra diferença é ainda mais legal: é possível doar plaquetas todo mês, inexistindo a limitação para doação de sangue, que é de 4 doações ao ano. Legal, né?

Cliquem no link abaixo e vejam o vídeo que fiz recebendo as “amarelinhas” na última sexta-feira e explicando a importância da doação de Plaquetas.

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Clique aqui e veja o vídeo

O que fica de tudo isso? Não podemos perder a fé, mesmo quando todos os indícios apontam para outra direção. Estava realmente preparado para notícias difíceis, e espero assim estar em outras oportunidades que a vida me colocar frente a frente com decisões importantes. A minha decisão? SEMPRE ENFRENTAR, com muita confiança em Deus.

Continuo internado até descobrir qual é o vírus modinha da vez, para dar o efetivo combate, permitindo assim que a medula volte a produzir com tranquilidade. Também serão infundidos anti-corpos (imunoglobulina) para reforçar meu sistema imunológico.

Fiquem todos com Deus e chega de sustos em 2015!

Doação de Medula amanhã em Uberlândia

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Pessoal, o programa Carona, da TV GLOBO Integração, ao lado de toda a nossa equipe do Salve Mais um, estará amanhã no Hemocentro de Uberlândia a partir das 12:00 horas para cadastrar uma legião de novos doadores de medula óssea. Obrigado pelo convite Cecília Ribeiro.

Abaixo o link da reportagem da TV Globo com maiores detalhes. Contamos com vocês!!! #salvemaisum

http://redeglobo.globo.com/mg/tvintegracao/noticia/2015/07/carona-convida-voce-para-o-cadastro-de-doadores-de-medula-ossea.html

O que está por trás desse beijo?

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Não sei se o meu vocabulário está à altura dessa resposta. Mas tenho por obrigação ao menos tentar falar sobre o assunto com o senso de justiça e gratidão que sempre carreguei, e com o amor que certamente aflorou após muitos “dias de luta”, e porque não dizer“dias de glória”, para completar o lindo verso do Charlie Brown.

E é impossível começar a falar sobre “o que está por trás desse beijo?” sem falar de Elza.

Enquanto eu ainda gozava de saúde plena, uma mulher que reside no interior de Rondônia (sim, Rondônia existe, é cheio de pessoas incríveis e que não são feias, viu Sr. Rafael Bastos?) decidiu que poderia ajudar ainda mais outras pessoas. Poucos sabem do apoio que ela já prestava a pacientes em hospitais, mesmo aqueles relegados à própria sorte. E talvez por impulso (eu já acredito que por chamamento divino!) decidiu cadastrar-se como doadora de medula óssea.

Alguns meses depois, lá estava eu, ainda em 2011, começando a lidar com o diagnóstico de uma leucemia que já tomava mais de 97% das minhas células. Hoje, graças a Deus (e graças a Elza!) estou aqui com 100% das células dela correndo em minhas veias. Células femininas, que carrego com muito orgulho, apesar dos erros de baliza que inexplicavelmente se tornaram um tanto quanto mais frequentes. Por trás desse beijo??? Elza Boaro!

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Mas não para por aí. Por trás desse beijo, ainda está o carinho de minha querida mãe. Se fiquei – entre idas e vindas – internado por alguns anos da minha vida, não posso dizer que minha mãe não tenha vivido a mesma experiência e com a mesma intensidade. Foi a partir do carinho (e da paciência!!) dela que percorri toda essa caminhada. Obrigado mãe, por tudo! E obrigado pai, que apesar dos 14 anos de saudades, deixou de herança os seus valores e a envergadura ética e moral que sustentam a mim e a meu querido irmão.

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Ah! Por trás desse beijo no dominical “Esquenta”, que vai ao ar no Domingo (ah vá!!!), também estão uma equipe fantástica de médicos, enfermeiras, auxiliares de enfermagem, copeiras, e as minhas amigas da limpeza que fizeram de um tudo (quando digo tudo, é tudo mesmo!) para que os momentos no Hospital fossem menos penosos. Um carinho especial a Dra. Yana Novis, Dr. Vanderson Rocha e toda equipe do Hospital Sírio Libanês. Minha gratidão também ao Hospital do Câncer de Uberlândia, onde fiquei por mais de 1 ano, e que por mais absurdo que pareça, ostenta dois adjetivos quase impossíveis de ser conciliados: público e de qualidade.  Fruto dos esforços do Grupo Luta pela Vida, que paga até mesmo o salário dos médicos, como o daquele mais humano que já conheci, Dr. Elmiro Chaves, que para mim ostenta o selo Lourival Flor de qualidade de ser humano (para quem não sabe, Lourival foi o responsável por me fazer acreditar e entender que a vida, em qualquer ocasião, está muito acima de questões financeiras).

Well, chega de agradecimentos por hoje, senão ficaria o resto da vida agradecendo Liliane Peritore, Lu Braga, Tio Lauro, Tia Cida, e por aí vai. Seria uma leitura sem fim. Vamos ao programa. Comecem avaliando se há algum ponto comum nessas fotos:

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Sim, nelas está representado onde a nossa rede social “Salve Mais Um” chegou. A expressão “ronaldoniana” de indicar o número 1 em riste com uma das mãos, que era usada para comemorar os seus gols com a amarelinha, é hoje a expressão de um novo movimento, que ouso dizer se tratar de um novo estilo de vida. SALVE MAIS UM deixou de ser apenas uma rede social de doação de sangue, plaquetas e medula óssea que já mobilizou milhares de brasileiros, a primeira na história que engaja pessoas a partir do seu próprio tipo sanguíneo. SALVE MAIS UM pode ser uma gentileza no trânsito, a forma de lidar com as doenças e dificuldades, de como tratamos os nossos iguais (e os igualmente desiguais!). Você que ainda não conhece, fica o convite: venha conosco, Salve Mais Um:

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https://www.facebook.com/salvemaisum?fref=ts

http://salvemaisum.com.br/

Da esquerda pra direita, os verdadeiros magos do Salve: Gabriel Ferreira (administrador), Tiago Leite (cartunista, engenheiro), Leandro Gabriel (engenheiro de software) e Carlos Defelicibus (engenheiro de software e stand up comedy). Quanto Gabriel, não?

Quanto ao Programa Esquenta, quero me dirigir aos que ainda ostentam certo preconceito em relação à sua apresentadora e suas atrações.

Regina Casé fez em seu programa uma grande homenagem ao interior do país, mostrando que ninguém precisa ter berço nos grandes centros para ser um instrumento de mobilização na sociedade. Mostrou a força do sertanejo, e trouxe exemplos de profissionais que vieram do nosso Triângulo Mineiro, e que hoje estão na nata intelectual do país, caso do Ronaldo Lemos, que desfila sua competência em todo o mundo. Como é bom saber que a cidade Uberlândia não está limitada aos casos de corrupção desmascarados por outra atração dominical da emissora. Temos mais a mostrar!

Bom, voltando ao tema, a educação e a preocupação de Regina (mesmo nome de minha querida sogra e também da sogra do meu irmão) e sua equipe com seus convidados e plateia, mostram que ela – ao contrário de muitos – valoriza suas origens, e respeita seu passado. E que a gente não precisa entender a posição, a crença, a opção sexual, o gosto televisivo e até mesmo musical dos outros. Limite-se a RESPEITAR, não é mesmo ZECA Baleiro e Zezé di CAMARGO?

Fui recentemente exposto a um dos maiores desafios da minha vida: fui procurado por uma família, que professa a fé dos testemunhas de Jeová, e que por isso não se submetem a transfusões de sangue. Sua filha, ainda muito jovem, e recém diagnosticada com leucemia aguda, ficou submetida a uma grande encruzilhada: abandonar sua vida ou abandonar sua fé. Quanta injustiça!

Felizmente, existe um tratamento alternativo que realiza até mesmo transplantes de medula sem a utilização de transfusões. Final feliz? Infelizmente, não. O plano de saúde negou o tratamento por considerar que a escolha se deu por questão “meramente” religiosa.

Bom, ao lado do meu grande amigo e sócio Júlio César Reis para ações envolvendo saúde, conseguimos uma liminar que a garante ficar com os dois: sua vida e sua fé intacta.  Muitos diriam: “Que ignorância? Prefere a morte ao tratamento??”. E foi justamente ao desenvolver essa ação que cheguei à essa conclusão: não temos que entender, APENAS RESPEITAR.

É assim que acredito em um mundo que pode dar certo. É o que pretendo praticar até o resto da minha vida.

Acharam que esqueci? Claro que não. Afinal, por trás (e também pela frente) desse beijo, está a minha amada esposa, Ana Gabriela.

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É nesse domingo. Exxxxxxquenta, com uma linda homenagem ao Cristiano Araújo, que seria a atração principal desta edição!! Continua sendo. Vai com Deus. E fiquem todos com Ele! “O que temos pra hoje é saudade…”

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Palê Zuppani – “Um irmão que a vida me deu”

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“Um Irmão que a vida me deu”. É usando as palavras dele que eu tento – apesar da emoção que o momento carrega – expressar algumas palavras em relação à passagem na Terra desse fenômeno de quatro letras chamado PALÊ!

Palê

Começo por mim. Desesperado com o diagnóstico da leucemia, recebi de PALÊ um apoio muito maior do que um tapinha nas costas ou votos de “vai dar certo”. Ao receber a ligação de um baita desconhecido, PALÊ fez a mais absoluta questão de me direcionar o caminho, trouxe a compreensão de todo o tratamento, das dificuldades, dos momentos divertidos. O seu primeiro documentário abriu a minha cabeça para receber a doença de outra forma, que hoje entendo ter sido a maior benção da minha vida.

E o que dizer pelos outros? PALÊ era um cara que não se contentava em ajudar por ajudar. Queria mais que isso. Era mais que isso. Saiu de sua zona de conforto e através da página MIELODRAMAS, reuniu em uma só ferramenta milhares de famílias que, assim como as nossas, precisam de apoio mútuo para compreender e aceitar o tratamento.

Falo sem ousar: PALÊ é o cara que eu mais admiro. Será para sempre lembrado por sua alegria de viver, daquelas que não são da boca pra fora ou frutos da angelização natural que damos aos que se foram. De tão fantástico, foi parar no Fantástico, que através dele pode honrar o seu lema: O SHOW DA VIDA!

A única coisa que peço a Deus é que Ele nos ajude a entender esse momento especial. E que essa partida seja entendida por nós como um grande alerta para o valor que devemos dar a vida e a na ajuda ao próximo. Precisamos estabelecer um compromisso definitivo com a felicidade.

Obrigado meu irmão! Vai com Deus! As lágrimas de hoje que insistem em rolar certamente serão transformadas em gotas de suor em nome da nossa causa… Deixo vocês com mais um pouquinho de PALÊ.

“Muitos de nós passamos por esse tipo de processo de doença chatas, mas como passamos por esse processo é que faz a diferença na vida!!!! Vejo a vida como um espelho, se a gente sorri, ela sorri para a gente, se lutamos, conseguimos vencer….. mas se entrar já desistindo, não vai dar certo…. meu papel como paciente é dar nosso no minimo 100%…. Saúde para nós!!!!” PALÊ ZUPPANI

Para sempre PALÊ!

Um pedaço de papel…

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Assim como o agora deputado Sérgio Reis, eu também sei que o meu coração não é de papel, mas a verdade é que nunca um pedaço de papel aqueceu tanto o meu coração, com um poder tão avassalador que só se compara ao dia que assinei, perante Deus, o compromisso eterno com o grande amor da minha vida.

Esse pedaço de papel, aparentemente inexpressivo, esconde anos de luta contra uma doença que se dizia implacável, mas que sucumbiu ao poder das orações, da fé, do otimismo e do bom humor.

O fato é que os espinhos viraram rosas. O que parecia ser o fundo do poço, ou para ser contemporâneo, aquilo que parecia ser o volume morto da minha vida, representados por 97,2% de células cancerígenas no meu organismo, agora são – literalmente – chuvas de bençãos que entopem os reservatórios do amor e da gratidão a Deus por ter realizado um milagre que se mostrava tão improvável.

As lutas se acumulavam, passando da dificuldade em encontrar Elza (nós a encontramos, não o Governo), as brigas com a Uni…, ops, Plano de Saúde, a medula que não pegava de jeito nenhum, os reforços de Elza que foram necessários, as pneumonias, o controle da dor a base de morfina, as mucosites. Enfim, dias que deixaremos para trás (Quest, J), mas com um orgulho infinito por ter vivido cada um desses momentos.

Tudo para chegarmos a esse pedaço de papel, que resume a ópera a um único ato: 100% de células da doadora!!!

Vejam que cada uma dessas 3 palavrinhas (100%, células e doadora) representam uma parte importantíssima dessa luta. Os 100%, que já foram 39. As células, que antes eram blastos. E a doadora, que chegou a ser declarada indisponível pelo REDOME.

Sim meus queridos, 100% de células femininas correndo na veia, ou para os que não fugiram da escola, 100% de células XX. Essa semana já me peguei errando baliza e chorando ao assistir Frozen. Será que é grave? hahaha

A gratidão a Deus e aos seus filhos que fizeram parte desse milagre na Terra será eterna. Ainda há desafios: as plaquetas insistem em não subir, a hemoglobina ainda muito baixa, mas são desafios que serão enfrentados (e vencidos).

Ao mesmo tempo, estou tentando, ao lado de 4 grandes companheiros, retribuir um pouco do que recebi. O http://www.salvemaisum.com.br está no ar, a todo vapor, e já está humildemente salvando vidas. Quero vocês lá dentro se cadastrando e salvando mais um.

salve

Também não deixaremos de lutar incessantemente contra os desmandos dos planos de saúde, projeto que divido com o amigo Júlio César, que com o Grupo Vittal, está provando que a vida vem antes dos interesses financeiros de quem nos vende saúde, mas nos entrega problemas. Curta a página do Grupo Vittal no Face. O site vem aí.

https://www.facebook.com/grupovittaladvogados?fref=ts

No mais, fica o compromisso de uma vida para prestar apoio e dar direção a todos que enfrentam essas doenças com estigma terrível, mas que não são páreo para Deus, que com 3 palavrinhas, resolveu imprimir em um pedaço de papel o seu nome e o seu milagre.

Vamos em frente e rumo aos próximos capítulos…

Transplantando

O que comemorar mais? Os 100%? O casamento? Ou conhecer minha doadora?

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Vai ser uma tarefa muito difícil escolher as melhores palavras que possam representar minimamente o sentimento de felicidade e êxtase que estão no meu peito.

Momentos tão esperados, mas tão esperados, que já eram encarados até mesmo como utópicos. Meu Deus, como o Senhor foi generoso comigo.

O contexto era de todo improvável. Uma doença descoberta com 97% das células tomadas pelo câncer. As brigas de foice na justiça contra os abusos da UNIMED, e a primeira cura sucedida pela abrupta e inesperada volta da doença.

A história da minha doadora, que só foi encontrada graças a uma gigantesca campanha nas redes sociais e por um exército de anjos terrestres que se dedicaram por mim e se dedicam diariamente por tantos outros na mesma situação. Obrigado a cada um de vocês que fizeram a parte mundana do milagre que me permitem estar vivo para dar as boas novas. Foram verdadeiros instrumentos de Deus!

Ah, a minha doadora… Um capítulo a parte! Ela, que para o REDOME havia desistido da doação, mas que na verdade só havia mudado de endereço. Ela, que pelos exames, quase foi descartada por ter tido hepatite na infância. Atenção REDOME. Informo a vocês, pela primeira vez publicamente, que fomos nós que a encontramos pelo mais primitivo dos atributos dos seres vivos: o da CO-MU-NI-CA-ÇÃO.  É PRECISO MUDAR A FORMA DE ABORDAGEM DOS NOSSOS SALVADORES. Uma ligação não atendida e um telegrama não entregue não podem decretar a morte de uma pessoa.

Peço, com muita humildade, que deixem para dar a notícia de que “a doadora está indisponível” após esgotadas todas as possibilidades. Uma notícia como essa pode ser mais devastadora que a própria doença. Se nós, meros mortais, a encontramos, o que podem mudar para que também consigam? Fica a reflexão…

Bom, o fato é que de uma tacada só realizei três sonhos que me tornam o homem mais feliz e realizado do mundo: casei com o amor da minha vida, meu primeiro e único amor; fui surpreendido com a presença de Elza (sim, o nome dela é ELZA!!) no casamento, uma surpresa arrebatadora; e comemoramos o 100% de pega da medula. Dá pra mensurar um cenário mais abençoado? Curtam algumas imagens, na primeira meus amores Elza e minha esposa Ana Gabriela:

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Conversando com Elza, vimos como o nosso caminho foi caprichado. A medula não pegava de jeito nenhum, levando o transplante a ser declarado fracassado pela equipe médica. Mas a sensibilidade do Dr. Vanderson Rocha, Yana Novis e equipe, os levaram a esperar um dia mais antes de destruir a medula e começar tudo de novo. Obrigado a vocês que deram o tempo para o milagre acontecer. No dia seguinte, as células haviam se duplicado, e assim o transplante saiu da UTI.

Como bem sabem, o dramalhão continuou. Agora era o bendito do quimerismo (quantidade de células da minha doadora), que começou caindo, depois despencou até 39%. Mais uma vez tudo sugeria a perda do transplante, que chegou a ser fortemente considerada pela equipe médica, pois as minhas células, que teimavam em não “morrer”, estavam com mutações genéticas graves que poderiam desenvolver outros tipos de leucemia. O transplante de medula óssea é tão doido que temos que torcer contra as nossas próprias células. Contra todas elas. 

Nova dobradinha entre Deus e médicos, e começou o resgate a partir de novas doses de células da nossa Super Elza, que viajou mais de 6 mil Km (seis mil quilômetros!!) para doar mais células. Lembrarei para sempre do momento em que ela me disse que “viria me salvar até 100 vezes se fosse necessário, enquanto tivesse vida”. Acham pouco? Pois Super Elza, desafiando a Teoria da Probabilidade, será possivelmente a salvadora de MAIS UMA PESSOA. Dá pra acreditar?

Enquanto isso, tive uma revelação muito importante do que Deus queria de mim com tudo isso. Passei, quase que naturalmente, a utilizar meus conhecimentos como advogado em prol de outros pacientes que enfrentam problemas com o SUS e com os Planos de Saúde, além de apoiar organizações que lutam pelos pacientes oncológicos. Se esse é o motivo de eu estar aqui, assumo meu papel com muito orgulho e obstinação.

Após tanta luta, tenho hoje serenidade e compreensão suficientes para dizer com muito orgulho: SOU MUITO GRATO À LEUCEMIA. Foi através dela que me tornei uma nova pessoa, sensível aos problemas de outros iguais, além de mais ligado à família e a Deus. Foi também através dela que reencontrei o amor da minha vida. Sou daqueles que teve que aprender pela dor, e não pelo amor. Mas a subversão dessa máxima foi a forma que Deus encontrou para resgatar mais uma de suas ovelhas desgarradas.

Bom, o fato é que os gravíssimos 39% viraram 44, cresceram para 58, pularam para 77, pegaram o elevador para 93, para hoje bater nos INIMAGINÁVEIS 100%!!! Como é bom ler esse parágrafo em voz alta. CEEEMMM POR CENTO DE CÉLULAS DA DOADORA! Como idealizei esse momento!

Outra novidade: os 100% do quimerismo da doadora revelam que tenho 100% das células femininas. Sou a exata representação de que “ser um homem feminino não fere o meu lado masculino”. Continuo espada, mas agora de uma mulher só. hahahahaha

Podemos dizer que acabou? Ainda não. As plaquetas ainda são muito baixas, e a equipe médica planeja mais doses de células de Elza para consolidar os 100%. É um procedimento muito complexo que pode implicar em rejeição, que inclusive já tenho em níveis moderados. Todo o cuidado ainda é pouco, mas a confiança que tenho na equipe médica e em Deus dão a certeza de que continua sendo (como sempre foi) uma questão de tempo.

Obrigado a minha família por ter me dado todo o suporte, principalmente pela compreensão, afeto e pelo poder das orações. Obrigado a todos que brindaram conosco essa felicidade e àqueles que, mesmo de longe, enviaram as melhores energias. Obrigado Elza Boaro e família, da qual farei parte para todo o sempre. Obrigado Lú Braga, Liliane Peritore, Gláucia, ATMO, Governo de Rondônia, Emerson Castro, Lourival Flor e tantos outros que tornaram tudo isso possível. Minha gratidão…

Viva a vida. Viva a saúde. Viva o otimismo. Viva a fé. Viva Elza. Viva Deus!! Feliz 2015 para todos e que o renascimento de Cristo renove nossas esperanças e nossas energias, pois a vida não pode parar.