Pneumonia dupla: a incrível história da bactéria que viajou 2 mil quilômetros

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É tristemente engraçado algumas coincidências (vamos chamar assim) da vida. Ontem vim ao Pronto Socorro do Hospital em busca de uma receita rápida para uma tosse que incomodava há alguns dias. Tá bom, alguns MESES – reconheço.

Não havia febre, dor, absolutamente nada. Apenas o incômodo da persistente tosse, que já chamava a atenção por onde passava. Menos a minha.

Esperava (no máximo!) por uma receita de um bom xarope para comprar a caminho de casa, mas a tomografia trouxe algo bem mais chato: não poderia voltar para casa. Pneumonia, a intrusa da vez, que levou a decretação da minha “prisão temporária”, para não fugir da única coisa que se ouve e se vê dos noticiários.

Mesmo não sendo mais um “Garotinho”, fui “preso” porque negligenciei alguns sinais, como a tosse que não passava, a coloração da secreção e o “pneu” do carro que furou esta semana. Eterno otimista que sou (para não dizer irresponsável), esperei tempo demais para buscar diagnóstico. E eis me aqui, internado para as primeiras horas de tratamento mais intensivo com potentes antibióticos.

Até aí tudo “normal” no contexto de um pós-transplantado. Agora, incomum mesmo foi conversar com Elza (para quem não sabe minha doadora de medula) no momento da internação, eu em Uberlândia-MG, ela em Ji-Paraná-RO, afastados por 2.120 quilômetros. E para minha surpresa: sim, ela também está em tratamento de uma forte Pneumonia.

Como diria o hit sertanejo, estamos “Você de lá e eu de cá”, em tese com o mesmo sistema imunológico, e em tratamento da mesma doença. Improvável, não? Improvável é o nome dado a tudo que se refere a minha relação com Elza, a única pessoa no mundo 100% compatível comigo. Uma entre 26 milhões de pessoas cadastradas, a minha mega da virada – da virada da minha vida. Deus sabe bem como foi.

É claro que não há relação entre as doenças ou ponte aérea de bactérias, mas como disse ontem meu irmão, as “células Elza” não estão muito fortes esse mês. Aliás, espero não sentir sempre as mesmas coisas de Elza, pois não me vejo preparado para “aqueles dias”.  Os únicos O.B’s que conheço são os tipos sanguíneos. Prefiro ser “sempre livre” disso! rsrsrs

Se você chegou até aqui, não vou me alongar. A mensagem é mesmo para alertar que não podemos negligenciar os sinais dados pelo corpo. A precocidade do diagnóstico é a válvula de escape para o tratamento mais rápido e efetivo de muitas doenças. Se tivesse vindo duas semanas antes ao hospital, certamente teria saído com a velha e boa receita do xarope, e não assinando o livro de internação.

E leve isso para outras áreas da vida, pois a vida, assim como o seu corpo, também emitem sinais – muitas vezes verdadeiras buzinas. Não deixe para amanhã a solução daquele desentendimento familiar. Não deixe para amanhã a procura de maior intimidade com Deus ou mesmo de fazer aquela viagem que vem sendo postergada indefinidamente. Como diria o poeta thevoiceano Lulu Santos, “vamos nos permitir”.

Variando brevemente de assunto, se há alguma vantagem em estar internado, é que acabo reunindo tempo para escrever para o transplantando.org, para o Oncoguia e para mim mesmo, prazer que é abafado pela loucura diária e pelos textos jurídicos que se sucedem. Não é uma desculpa, mas uma constatação.

Nesse primeiro texto após meses sabáticos, vejo que está sobrando tempo demais para executar, e faltando tempo para pensar as coisas sob outra perspectiva. Olha aí os sinais da vida.

Que não sejam necessárias novas internações para novos textos. Neste de retomada, vou poupá-los da minha falta de “ritmo de jogo”, mas para as seguintes prometo mais fidedignidade ao propósito. Senti sua falta.

pneumonia

 

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4 comentários sobre “Pneumonia dupla: a incrível história da bactéria que viajou 2 mil quilômetros

  1. Ai genteee.. Que coincidencia incrível com a Elza rsrs Vamos rir pra não chorar..
    Meu irmão não está gripado e nem com pneumonia, mas eu estava com sinusite e agora uma tosse chata que não passa. Espero amnhã na minha consulta de retorno do tmo não estar com pneumonia tbm rsrrsrsr Faz 4 meses que voltei a trabalhar, após 4 anos afastada, tenho percebido que estou deixando a rotina me dominar e o quanto antes preciso voltar para uma terapia, alguém com ouvido terapia rsrs Se cuida, vc ficará bem!

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