Mais uma semana: Pneumonia, febre e a mesma confiança

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Sim, é verdade. No dia seguinte da postagem anterior (Os 10 primeiros dias de um transplantado), e após uma pequena falta de ar, uma tomografia acusou a indesejável presença de uma PNEUMONIA.

O nome assusta, mas quem está passando por uma LEUCEMIA, costuma ter o couro mais grosso para esse tipo de notícia. Foi o meu caso.

O tratamento é ‘faca na caveira’: baterias de antibióticos, antifúngicos, e muita fisioterapia respiratória. Conhecem o Jason de Sexta-Feira 13? Está aí… hahahah

panico

Vômitos começaram a ocupar parte da minha rotina, que são péssimos para a já irritadiça garganta. Isso leva à indisposição e dificuldades para dormir. Santo Rivotril (mãe, desculpe pelas críticas exacerbadas pelo uso deste “dorminhômetro”). As febres também estão frequentes, mas as temperaturas nunca foram altas a ponto de descabelar a equipe médica (até porque eu descabelar seria um tanto quanto improvável, não é mesmo? hehehe).

Ainda na parte difícil desses dias (D+11 ao D+18), ontem fiz uma cirurgia para troca do cateter, que foi acusado de ser o responsável pelo aumento da temperatura (pouparam o efeito estufa e a emissão de CO2 dessa vez). Bastante dor local, mas sem sustos.

Curiosa a vida. Enquanto o Netinho e a Maria do BBB se internaram pra se livrar das “bombas”, eu estou ligado a pelo menos 5 delas. É justamente através dessas bombas de medicamentos que os médicos preparam o terreno para o recebimento da “Vitória”. Sou uma verdadeira árvore de Natal e o presente já é de conhecimento de todos: A CURA. Diria Marcelo Resende: “me dá imagens!!”

5 bombas

Mas chega! Chega de notícia ruim. Ah, uma última: o Video Show com o Zeca Camargo conseguiu ficar pior do que já era (relatos de um à toa que muitas vezes não tem nada pra fazer).

Vamos enfim falar da parte boa do negócio.

Pois não é que a danada da mucosite juntou suas coisinhas e foi embora de uma vez por todas! Quanta alegria…

Para vocês terem uma ideia, já ando até arriscando um macarrãozinho no lugar das papinhas de nada temperadas com coisa alguma.

As vistas embaçadas que tive com medicamentos também ficaram para trás.

Com a substituição do cateter, hoje as temperaturas já estão mais pra Gramado do que pra Cuiabá.

O negócio é esse meus caros, umas coisas melhoram, outras pioram. UM DIA DE CADA DE CADA VEZ, UM LEÃO POR DIA. Esse é o mantra a ser entoado.

Mudando de assunto: hoje já é o D+18, o que significa que os mais otimistas infelizmente perderam o bolão. Não tem problema, pois nesse jogo, o que vale é a medula PEGAR, nem que pegue aos 45 minutos do segundo tempo, com pênalti roubado cobrado pelo Alexandre Pato.

Falando em pato, essas patologias que ainda estão no meu pé, apesar de todos os cuidados, mostram que o transplante de medula não é mesmo uma receitinha de bolo de fubá.

Estou até lendo um livro chamado “Como convencer alguém em 90 segundos”, na tentativa de convencer minhas células a serem receptivas com “Vitória”, e para que “Vitória” se convença de que “aqui” é um bom lugar para Ela se instalar.

O que não dá pra negar é que cada paciente é um desafio para a classe médica, cada transplantado tem reações distintas aos medicamentos ministrados. E é aí que entra a única parte que podemos alterar: A FORMA QUE CADA UM DE NÓS PACIENTES REAGE PSICOLOGICAMENTE AOS DESAFIOS DIÁRIOS A QUE SOMOS SUBMETIDOS.

Para mim, esse comportamento é fundamental para o sucesso do tratamento.

Vou dar um exemplo que aconteceu comigo. Muitos sabem que apenas três coisas me tiram do sério: 1) fome; 2) que me deixem esperando; 3) e o pior: que me deixem esperando, COM fome.

Pois bem. Ontem mesmo, e com o almoço já esfriando, uma enfermeira insistiu em fazer um procedimento. Pedi que aguardasse eu almoçar, ao que fui informado que o antibiótico tinha horário certo e não poderia aguardar.

Ou seja, ela me pediu “para esperar, com fome”, o nível master blaster para acionamento do meu mau humor. Resultado: fui extremamente rude com essa profissional.

Segundos depois, e já envergonhado com minha conduta, comecei a me perguntar: 1) O que eu ganho sendo rude com ela?; 2) O que é mais importante: o almoço na hora que eu quero ou o antibiótico na hora que precisa ser ministrado?; 3) O que esperar daqui pra frente de uma enfermeira, de um ser humano que foi tratado de forma tão rude por um careca idiota que se achava no direito de a tratá-la de uma forma tão ríspida?

Enfim, perdi as contas das perguntas, e as respostas sempre foram as mesmas: FUI UM IDIOTA. Ela estava apenas fazendo o trabalho dela, enquanto eu deveria estar fazendo o meu.

Tinha duas opções: ficar ruminando este sentimento ruim ou fazer o que deveria ser feito. Não tive dúvidas, alguns minutos depois, quando ela voltou com a medicação, pedi as mais sinceras desculpas, disse que ela não tinha culpa do meu comportamento e que poderia fazer tantos quantos fossem os procedimentos. Recebi de imediato as desculpas, e estabelecemos desde então uma excelente relação, que começou ruim (por minha causa), mas que hoje permite até mesmo brincadeiras e um ambiente descontraído. Quem ganhou com isso? Todos envolvidos na situação!

Mas qual a razão de estar abordando esse assunto? Simples. Até mesmo os que pregam o otimismo e o bom humor, em um transplante, serão eventualmente TOMADOS por sentimentos antagônicos como desânimo e alteração do humor. Temos dias ruins sim Senhor, e isso não é vergonha. O importante é saber identificá-los, corrigi-los a tempo e, sobretudo, SUPERÁ-LOS. Experimentei esse outro lado e não gostei. Não posso pregar “A” e praticar “B”. Para quem um dia der um “mal passo”, como eu dei, não se martirize, não desanime, tome conta da situação, peça desculpas e mostre a sua essência de sua alegria, confiança, respeito e humildade.

Afinal, o Hospital passa a ser o nosso lar por um bom período e os funcionários a nossa família, e dentro do nosso lar, deve sempre reinar a paz, o respeito e a união.

Tenho nesse blog o compromisso de narrar tudo o que acontece no transplante, as partes boas e as ruins, mas para aqueles que pensam que estou desanimado, deixo o meu recado: NUNCA ESTIVE TÃO CONFIANTE NO RESULTADO DO TRATAMENTO, MESMO SABENDO QUE SERIA DURO, ACREDITO QUE TUDO ESTÁ CONSPIRANDO A FAVOR DA VITÓRIA FINAL.

Parabéns Minha Santinha da Medalha Milagrosa por seu dia (27/11) e vamos para a próxima, que já pode ter a notícia que tanto aguardamos! Fé, Foco e Força.

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92 comentários sobre “Mais uma semana: Pneumonia, febre e a mesma confiança

  1. Ola! Conheci sua história hj, qndo uma colega.compartilhou.no facebook seu post: “Pegouuuu”!
    Então comecei a ler suas postagens!
    Apesar das inumeras dificuldades e provaçõs aqui relatadas não pude deixar de me divertir com seu bom humor! O trocadilho com as “bombas” foi ótimo! E o.video show com ctza conseguiu ficar pior! Hahaha
    Admiro sua fé, sinceridade consigo
    mesmo e EXEMPLO de otimismo!
    Abraços!

  2. sou mãe da Marília(esposa do Batora), tenho acompanhado sua luta e vejo um rapaz forte, corajoso, crente que Deus pode todas as coisas, e quero te dizer que essa luta já é mais do que vitoriosa, pq DEUS é contigo, e ELE jamais te abanda.Vc é um.varão muito valoroso para Deus e para nós!!! Estou orgulhosa de vc,. bjos.

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