Fábrica de Milagres – O filho tão sonhado está a caminho!

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beijoNão temos como começar esse texto sem honrar Aquele responsável por mais esse milagre em nossas vidas. São milagres escancarados, que se sucedem um ao outro como numa linha de produção, trazendo a convicção que não há vida plena sem Deus no coração.

Bom, para contar essa história, temos que voltar para janeiro de 2011, quando, num sábado,  fui diagnosticado com leucemia aguda, com 97,2% das células comprometidas pela doença.

A internação, ainda em Goiânia, veio no domingo, e a quimio programada para se iniciar na segunda. Não havia tempo para espera. Eis que o médico cravou: “Gabriel, o ideal é que você congele sêmen, pois são grandes as chances de que você se torne estéril com o tratamento”.

Era difícil, naquele momento de caos mental, ter discernimento para direcionar energias para esse processo. No bom português, forçar uma ereção estava longe de ser uma alternativa naquele momento. Pensar em filhos então, aos 26 anos, não era uma prioridade.

Aqui faço um registro: não fosse a insistência de minha mãe, e especialmente da minha então namorada, Cíntia, nada disso teria se realizado. Muita gratidão por terem insistido comigo. Devemos isso a Deus e a vocês.

Na verdade foi montada uma verdadeira operação de guerra. Tínhamos poucas horas para a “função” antes do início da quimio. Após a coleta do sêmen, o mesmo deve ser congelado em nitrogênio em no máximo 20 minutos, senão os espermatozoides não resistem e morrem.

Um taxi foi contratado para ficar de vigília e fazer o trajeto entre o Hospital e a Clínica. Enquanto isso, eu estava no quarto, dividido com mais 4 pacientes, todos com seus acompanhantes. A maioria deles se divertia com aquele processo, em que eu, com um vidrinho na mão, entrava para o banheiro de hospital para o “procedimento” (achei esse nome mais educado do que os nomes convencionais para o ato rsrsrs)

Havia alguns desafios para conseguir finalizar a missão. A primeira delas era o fato de estar com o braço direito com veia pega, e sendo destro, o “ato” não era nada prazeroso com a agulha mexendo dentro da veia na altura do antebraço. O segundo era o próprio diagnóstico da doença, que convenhamos, não era nada convidativo para o que precisava ser feito. O terceiro era saber que todos os pacientes e acompanhantes sabiam o que estava fazendo dentro do banheiro, e acreditem, isso não é nada estimulante.

Mas o quarto e definitivo obstáculo era tentar uma ejaculação ouvindo a Dona Carolina, também conhecida como minha mãe, conversando dentro do quarto: “Porque Gabriel isso (…) porque Gabriel aquilo”. Aí era demais. Senhores e Senhoras, a “missão” teve que ser abortada, e os pacientes, às lágrimas de tanto rir, me viram abrir a porta para dar o seguinte recado: “Mãe, tem como você ficar caladinha. Tô tentando fazer um negócio importante aqui, e ouvindo sua voz não dá” rsrsrs. Vou te falar uma coisa, foi muita raça e obstinação envolvida. E sim, habemus semen. O taxi voou para a Clínica, e sucesso: meus filhotinhos já estavam congelados.

Bom, o tratamento seguiu, e com ele a cura. Veio também a realidade da infertilidade. O casamento com minha esposa Ana Gabriela chegou em 2014, e acreditávamos então que seria simples gerar nossos filhos. Afinal, era só descongelar, fertilizar os óvulos e transferir. Ledo engano.

Optamos desde o início pelo procedimento com melhor índice estatístico de sucesso: a fertilização, que pressupõe a geração de embriões saudáveis para transferência, de dois em dois. Chances de gêmeos altíssimas.

Começou então nossa saga, que muita gente não conhece, mas que já dura 4 anos. Em Uberlândia, foram 3 transferências mal sucedidas. 6 embriões ao todo. É muito difícil, especialmente para a  mulher, por conta da estimulação de hormônios que recebe. No auge dos hormônios, recebíamos os exames indicando que não estava dando certo. Tudo muito sofrido e frustrante.

São procedimentos MUITO caros, mas ainda assim, após 3 insucessos, partimos para São Paulo, na clínica mais conceituada do país, pois tínhamos a falsa impressão de que  o êxito só seria possível nos grandes centros. Ledo engano, parte II.

Na capital paulista, foram mais 4 insucessos, todos muito desgastantes do ponto de vista psicológico e financeiro. Perguntávamos para Deus que tipo de ensinamento Ele estava tentando nos passar.

Entendemos que a adoção deveria ser a palavra de Deus para nossas vidas. Dar um lar e uma família a quem não teve essa chance. Pois bem, fizemos na íntegra o curso de preparação promovido pela ONG Pontes de Amor, com a parceria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Hoje, já estamos cadastrados no CNA (Cadastro Nacional de Adoção) com sentença favorável do Juiz da Vara da Infância de Uberlândia, e a qualquer momento nosso filho do coração pode chegar.

Enquanto isso, em São Paulo havia sobrado 1 único embrião. Nossas energias consumidas, assim como nossos recursos financeiros (cada transferência pode chegar a 30 mil reais).

Foi ai que conhecemos a Clínica SEMEAR em Ribeirão Preto, do Dr. Welington Martins, a partir da indicação das amigas Mariane e Maju. E a esse profissional confiamos esse embrião, já com expectativas contingenciadas pelos 7 insucessos anteriores. A linha do médico era muito diferente: deixar o ciclo o mais natural possível, com utilização mínima de medicamentos. Deixar a natureza agir…

Meus queridos amigos, CONSEGUIMOS!!!!! Estamos finalmente grávidos. Deus construiu essa história de uma forma muito bonita, inesquecível, e nos deu mais uma prova de fé. Deixe Deus agir e confia, mesmo quando todas as evidências dizem o contrário.

Nosso projeto de adoção não para, pois temos a convicção de que Deus prepara uma entrega muito especial para nós. E se tivéssemos tido sucesso desde o início, jamais teríamos conhecido esse mundo maravilhoso da adoção.

Ontem comemoramos 3 meses de gravidez. E já sabemos o sexo do nosso primogênito: é um menino!! Vem atleticaninho por aí…

O nome? Antônio Inácio. Com destaque para Inácio, uma homenagem que eu e minha esposa fizemos ao local que meu pai e toda a minha família paterna nasceram: Santo Inácio, na zona rural de Coromandel. Pai, espero que de longe você esteja feliz, sei que está! Te amamos muito.

Não tenho como não registrar meus agradecimentos à Elza, minha amadora doadora de medula, e que também tornou esse sonho possível. Ao contar para ela, Elza disse que não sabia se seria mãe, pai ou tia do Antônio, já que tenho 100% das células dela rsrs.

E é embebido dessa alegria, e da unção de Deus sobre nossas vidas, que vamos viver essa nova fase de nossas vidas. Orem por nós…

Carinhosamente,

Gabriel, Ana Gabriela e Antônio

#antonioiscomming

 

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O Adeus ao escritório Ribeiro Silva: 10 anos de muito aprendizado

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E lá se foram mais de 10 anos. O ano era de 2008. Via-me recém-egresso da Universidade de Direito, e nem minha carteira da OAB havia chegado, apesar de já estar aprovado.

De repente, um processo seletivo, que tinha 4 fases (análise de currículo, dinâmica de grupo, prova escrita e entrevista com sócios). Quase um concurso público… hahaha

Lembro-me de ter ido só de camisa, enquanto meus “concorrentes” estavam fechados na beca e gravata. Tô lascado – pensei, lamentando o ônus da inexperiência.

Acho que a necessidade de trabalhar e o bom desempenho no “concurso” foram suficientes, e lá estava eu, em 2 de junho de 2008, assumindo o meu 9º trabalho (sim, já havia sido caixa, vendedor de vassouras, atendente de telemarketing,  planejamento e controle de produção de fábrica de vidro, estagiário de empresa de consórcio, estagiário na Vale do Rio Doce no Pará, vendedor de cursos de línguas e ‘fritador’ de batatas na Inglaterra). Na prática, foi o 1º emprego depois de formado em Direito.

Procurei demonstrar desde então toda a minha disponibilidade aos meus contratantes, de que valeria a pena o investimento feito em mim. Após 30 dias de muito trabalho e de uma imersão na área do escritório (direito eleitoral e administrativo), na qual hoje sou especialista, o primeiro e inusitado convite: mudança para Luziânia-GO, para coordenação do jurídico da campanha de 3 candidatos a prefeito de cidades goianas.  6 meses depois, já assumia a Coordenação Geral do Escritório em sua filial de Goiânia.

A proximidade com Brasília me trouxe uma oportunidade ainda mais expressiva: pude realizar minha primeira sustentação oral, na qual sai vitorioso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, contra o voto do relator, para inocentar um Prefeito em Denúncia Criminal (sim, ele era de fato inocente). Digno de nota: oportunidade que tive mesmo nunca tendo realizado sequer uma audiência de conciliação até então.

Faço questão de contar isso, pois tive, no escritório Ribeiro Silva, algo que vai muito além do acúmulo de experiências de advocacia. Os seus sócios sempre estimularam os advogados interessados a assumir posições maiores muito rapidamente. Garantem que você só se torna algo bom em alguma coisa, fazendo a primeira vez.

Colhi os frutos dessa confiança depositada, e no período que fiquei no escritório, tive como clientes Senadores da República, Governadores de Estado, Presidentes de Assembleias Legislativas, Deputados Estaduais e Federais, Prefeitos, Presidentes de Câmara e muitos vereadores. Mais que isso, tive a oportunidade de fazer dezenas de sustentações orais no Tribunal Regional Eleitoral de Minas, TRE-GO, TJMG, TJGO, TJSP, TRF1, STJ e TSE.

Segue umas das que realizei https://www.youtube.com/watch?v=PahTcBq_yeo.  e https://www.youtube.com/watch?v=s9hO-czbnoE

Enfim, foram anos mágicos, de profundo conhecimento jurídico.

Muito se diz sobre advogar para a classe política. E isso me ajudou bastante a forjar o meu caráter. Primeiro por conhecer excelentes gestores, tirando aquele senso comum de que todos são do mesmo bando ou farinha do mesmo saco. E por outro por saber que mesmo havendo políticos altamente desviados na moral, isso não interferiu ou abalou os meus princípios morais e éticos. Entrar limpo e sair limpo, uma premissa inegociável em minha vida.

Outro destaque. Foi no escritório Ribeiro Silva que passei pelos melhores e piores momentos de minha vida. Tal qual um casamento, tivemos uma relação na saúde e na doença. E foi na doença que pude experimentar a generosidade de todos os membros do escritório e de seus sócios, que me deram todo o suporte, tranquilidade e equilíbrio para que a luta se desse apenas em relação ao diagnóstico. Minha gratidão a todos, que não serão nominados para que não seja injusto com alguém. Foram uma família para mim – isso posso garantir.

Bom, mas o fato é que outras áreas do direito me impactaram de corpo e alma. O Direito à Saúde passou a fazer parte do que eu era, e a cada dia que passava aumentava o meu desejo de ter uma dedicação mais acentuada na área, que me permite, desde 2014, ser uma plataforma de renda familiar e ainda de potencializar ajuda a outras pessoas que passam por problemas de saúde. Ao mesmo tempo – confesso – o desejo de empreender um negócio próprio, para que possa praticar o meu modelo de advocacia e de gestão.

Nesse caminho, encontrei meu atual sócio, Dr. Júlio César Reis Marques, que sempre comungou do mesmo sonho, e desde então já se vão 4 anos de muito trabalho. O Direito Médico também emerge como plataforma de atuação proeminente de um escritório que já existe há 4 anos, e que agora se materializa através de estruturas próprias e vocacionadas ao tema. Nasce definitivamente – agora fisicamente – o Escritório Massote Marques. A especialização em Direito da Medicina pela Universidade de Coimbra contribuiu muito nesse processo de amadurecimento da decisão.

Nas próximas postagens, falaremos um pouco de como tudo isso será feito, e já temos um site de espera que nos motiva a avançar. www.massotemarques.com.br

É mais um ano que se inicia, ressaltando a gratidão pelos caminhos por onde passei, e pedindo a Deus esclarecimento e direção para os próximos passos.

Obrigado a Família Ribeiro Silva por tudo.

Feliz 2019 a todos! E que venham os próximos desafios.

Bolão do Salsa – Rússia 2018

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Atendendo a pedidos dos amigos, vamos mais uma vez fazer o Bolão do Salsa Rússia 2018, uma maneira muito divertida de ajudar o próximo e ainda concorrer a prêmios em dinheiro. Quem ainda não recebeu os palpites por e-mail, basta enviar seu e-mail nos comentários. A ajuda, desta vez, vai ser para a Elza Boaro, que como doadora de medula óssea, já foi convocada duas vezes para salvar vidas. A minha devo a ela e a Deus, que a colocou na minha vida… Baixem a planilha e vejam como participar e o regulamento:

Bolão 2018 enviar – Participante – Revista

BOLÃO DO SALSA

Pode pedir música…

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Alô Tadeu Schmidt, aquele que consegue, em um ano, pegar 3 pneumonias, tem direito de pedir música no Fantástico, não é mesmo?

No meu caso, a pneumonia, desta vez, veio acompanhada de faringite, bronquite, gastrite e esofagite. Atendendo sugestão do meu amigo Tiaguinho, não tem como não ir de “Zé Meningite”, do Grupo Revelação. Segura Tadeu…

Zé Meningite já teve bronquite, leptospirose,

Cancro, sarampo, catapora,

Varíola, caxumba e gastrite.

Tétano e hepatite, febre amarela e conjuntivite,

Derrame cerebral, coqueluche e celulite.

Faringite, doenças de chagas e labirintite.

Ah meus Deus!

Igual Zé Meningite eu nunca vi, meu Deus! 2x

Pegar tanta doença braba, sobreviver e resistir.

Teve sarna e tifo.

Teve sombra no pulmão.

Portava um tumor maligno, leucemia e subia a pressão.

Pegou o vírus do mundo numa transa de amor e ele engordou.

Teve raiva e cirrose, até a própria morte se amedrontou. (2x)

Olha que se a morte tem medo do cara é porque realmente transmite pavor.

O danado é mais brabo que a própria morte, Zé Meningite é um terror.

Se a morte tem medo do cara é porque realmente transmite pavor.

O safado é mais brabo que a própria morte, Zé Meningite é um terror.

QUEREM OUVIR A MÚSICA?

https://www.youtube.com/watch?v=WMh5U_zw2Ic

Melhor que a brincadeira, é saber que as “encrencas” que estão em negrito papai já teve, já dominou no peito, e mandou para escanteio. Agora não vai ser diferente.

O segredo? A rapidez no diagnóstico. Comecei a sentir estranho no domingo em Uberlândia, e na quarta, já estava internado em São Paulo.

Não, não é mérito meu, mas novamente de minha esposa Ana, e me minha médica Yana, que prontamente exigiram – não facultaram – a ida para São Paulo.

A essência deste post é para aqueles que tenham tido doenças graves que imponham maiores cuidados. Não façam como faço, mas façam como digo: não negligenciem os sintomas do corpo, a precocidade no diagnóstico pode evitar um quadro mais grave, até mesmo uma UTI, que seria o caminho para os “Unidos da Teimosia Intensivos”, clube do qual pretendo desfilar-me.

Sim, estou internado, mas acompanhado de perto através de exames e carinho dos mesmos profissionais que, quase 5 anos atrás, foram instrumento de Deus para me devolver a vida juntamente com Elza e sua medula novinha em folha. Fotos de hoje…

O encontro mais emocionante remonta ao início de tudo. Reencontrar a enfermeira Roberta, que foi o ponto de carinho da Ana Luiza em sua recepção (quem acompanha o blog se lembra bem dela), e que agora traz consigo a pequena Isabel, olha só…

Roberta

Os papais Danny e Leonel, que acompanharam a passagem da Ana Luiza, dão ao mundo uma linda mensagem de esperança. Grávidos!!! Não é demais? A homenagem que era para ser o pequeno Gabriel, será a pequena Gabriela, homenagem dupla do casal para mim e minha esposa Ana Gabriela…  Obrigado por tudo que fizeram pelas nossas vidas, Ana Luiza me devolveu esperança e motivação para viver quando tudo parecia perdido. E a foto dela continuará me acompanhando em minha carteira para todo o sempre…

ana luiza

Hoje é um dia muito especial, pois hoje será realizado o transplante de medula da amiga Roberta Munari, que com a riqueza das células da medula de seu filho, terá hoje a data de seu renascimento… #forçaroberta, estamos todos com você!! No próximo post, explicarei o passo a passo do pedido judicial para autorizar menores de idade a doar medula óssea.

Por fim, não é legal que tenha que estar internando para “arrumar” tempo para escrever, mas é a consequência do reavivamento de emoções que me fazem muito bem. E lembrem da receita de bolo: fé, otimismo e bom humor! #salvemaisum #oncoguia #informação #Deus

 

 

Pneumonia dupla: a incrível história da bactéria que viajou 2 mil quilômetros

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É tristemente engraçado algumas coincidências (vamos chamar assim) da vida. Ontem vim ao Pronto Socorro do Hospital em busca de uma receita rápida para uma tosse que incomodava há alguns dias. Tá bom, alguns MESES – reconheço.

Não havia febre, dor, absolutamente nada. Apenas o incômodo da persistente tosse, que já chamava a atenção por onde passava. Menos a minha.

Esperava (no máximo!) por uma receita de um bom xarope para comprar a caminho de casa, mas a tomografia trouxe algo bem mais chato: não poderia voltar para casa. Pneumonia, a intrusa da vez, que levou a decretação da minha “prisão temporária”, para não fugir da única coisa que se ouve e se vê dos noticiários.

Mesmo não sendo mais um “Garotinho”, fui “preso” porque negligenciei alguns sinais, como a tosse que não passava, a coloração da secreção e o “pneu” do carro que furou esta semana. Eterno otimista que sou (para não dizer irresponsável), esperei tempo demais para buscar diagnóstico. E eis me aqui, internado para as primeiras horas de tratamento mais intensivo com potentes antibióticos.

Até aí tudo “normal” no contexto de um pós-transplantado. Agora, incomum mesmo foi conversar com Elza (para quem não sabe minha doadora de medula) no momento da internação, eu em Uberlândia-MG, ela em Ji-Paraná-RO, afastados por 2.120 quilômetros. E para minha surpresa: sim, ela também está em tratamento de uma forte Pneumonia.

Como diria o hit sertanejo, estamos “Você de lá e eu de cá”, em tese com o mesmo sistema imunológico, e em tratamento da mesma doença. Improvável, não? Improvável é o nome dado a tudo que se refere a minha relação com Elza, a única pessoa no mundo 100% compatível comigo. Uma entre 26 milhões de pessoas cadastradas, a minha mega da virada – da virada da minha vida. Deus sabe bem como foi.

É claro que não há relação entre as doenças ou ponte aérea de bactérias, mas como disse ontem meu irmão, as “células Elza” não estão muito fortes esse mês. Aliás, espero não sentir sempre as mesmas coisas de Elza, pois não me vejo preparado para “aqueles dias”.  Os únicos O.B’s que conheço são os tipos sanguíneos. Prefiro ser “sempre livre” disso! rsrsrs

Se você chegou até aqui, não vou me alongar. A mensagem é mesmo para alertar que não podemos negligenciar os sinais dados pelo corpo. A precocidade do diagnóstico é a válvula de escape para o tratamento mais rápido e efetivo de muitas doenças. Se tivesse vindo duas semanas antes ao hospital, certamente teria saído com a velha e boa receita do xarope, e não assinando o livro de internação.

E leve isso para outras áreas da vida, pois a vida, assim como o seu corpo, também emitem sinais – muitas vezes verdadeiras buzinas. Não deixe para amanhã a solução daquele desentendimento familiar. Não deixe para amanhã a procura de maior intimidade com Deus ou mesmo de fazer aquela viagem que vem sendo postergada indefinidamente. Como diria o poeta thevoiceano Lulu Santos, “vamos nos permitir”.

Variando brevemente de assunto, se há alguma vantagem em estar internado, é que acabo reunindo tempo para escrever para o transplantando.org, para o Oncoguia e para mim mesmo, prazer que é abafado pela loucura diária e pelos textos jurídicos que se sucedem. Não é uma desculpa, mas uma constatação.

Nesse primeiro texto após meses sabáticos, vejo que está sobrando tempo demais para executar, e faltando tempo para pensar as coisas sob outra perspectiva. Olha aí os sinais da vida.

Que não sejam necessárias novas internações para novos textos. Neste de retomada, vou poupá-los da minha falta de “ritmo de jogo”, mas para as seguintes prometo mais fidedignidade ao propósito. Senti sua falta.

pneumonia

 

16 anos do primeiro beijo – ensaio sobre o casamento

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beijo

19 de maio de 2001: sim,  foi este o dia do primeiro e desengonçado beijo. Para os que são de Uberlândia terem uma ideia, faz tanto tempo que esse beijo aconteceu no finado Cassino Brasil, onde acontecia a primeira Federada, festa anual do também finado colégio federal.

Como dizem nos EUA, somos high scholl sweathearts. E foi neste exato dia que a hoje esposa ganhou o apelido de Capi – digamos um bullying carinhoso.

Mas o que mais impacta pelo tempo não é o Cassino Brasil ou a Federada, e sim a realização de que esta união representa exatamente a metade de nossas vidas, que hoje com 32 anos, comemoramos casados.

A união não foi ininterrupta. Para o início do namoro, a enrolei um bom tempo. E depois foram 5 anos separados, quando ela me enrolou. Resultado: enrolados estamos…

Muito se diz que o tempo gera conhecimento e entendimento sobre o seu companheiro. O nosso tempo não caminhou de forma tão convencional.

Os 5 anos de separação nos tornaram pessoas melhores e mais maduras, mas totalmente diferentes, cada um criando laços com sua própria individualidade – para não dizer egocentrismo. Preservado estava apenas o sentimento de um pelo outro. Pensávamos ser o suficiente.

A (re)união passou por um novo processo de conhecimento, que assim como no mundo jurídico, passa por um grande processo de instrução, para revelação do que cada um – convicto do que sentia pelo outro – poderia esperar desta “nova” relação.

E realmente foi uma nova experiência. Dividir as escovas de dente não estava em nosso portfólio anterior, e muitas vezes a opção eleita não foi consensual. Hoje, por exemplo, cada um tem o seu banheiro (ah, e sua escova também hahaha).

Muito se fala sobre o casamento e a união perfeita. Boolshit!

O casamento é sim um dos maiores desafios a serem enfrentados por nós mortais, talvez superado apenas pelo desafio de ser pai/mãe.  É  um aprendizado constante. As milhas acumuladas durante o relacionamento são importantes, mas se não tratadas diariamente, levarão ao distanciamento do casal, que 9 em cada 10 vezes, vão conduzir à separação.

Estamos juntos remando nesse exercício diário, e muitas vezes temos falhado. Recentemente, passamos por um período em que as brigas e os maus momentos estavam sufocando e impondo protagonismo em relação aos bons momentos.

Não sucumbimos apenas pela fé em Deus e pela confiança do sentimento que abraça nossos espíritos há 16 anos. Errei muito, erramos muito, assim como ocorre em todos os casais – mesmo os que insistem em passar a ideia de um casamento perfeito. Se existe não sei,  mas se existisse certamente não o escolheríamos, pois o mistério bom da vida é justamente essa eterna construção, ainda que seja uma obra que nunca será finalizada, assim como a transposição do São Francisco.

Mas Deus é tão poderoso que aproxima datas importantes de momentos importantes, para que não nos esqueçamos de onde viemos e para onde queremos ir (juntos!). Ah, o Zuckerberg tem tentado fazer o mesmo com suas lembranças, mas em 2001 nem mesmo o Facebook existia.

Gente, faz tanto tempo do primeiro beijo, que naquela época as torres gêmeas estavam de pé, Obama e Osama eram desconhecidos, Lula nunca tinha sido presidente, o Brasil era tetra e o Vasco nunca tinha caído para a segunda divisão. Tão antigo, que o Palmeiras ainda não tinha mundial. Ops, não tem até hoje… hahaha

Mas voltando ao que importa, eu queria deixar registrado nesta data, através do blog, o meu agradecimento à minha esposa Ana Gabriela Moraes Pena Massote (esse último exigido pelo escriba) pelos 16 anos em que me brinda com sua alegria e do amor que nos fez passar por todos os percalços. Contemplamos juntos os piores e os melhores momentos de nossas vidas, e a você devo uma grande parte do que sou.

Juntos casamos no cartório, na igreja e no hospital. Juntos namoramos no estacionamento do Habib’s (e no hospital rsrs). Juntos fomos a velórios, formaturas e casamentos. Juntos passamos no vestibular e formamos. Juntos pretendo passar o resto dos meus dias ao seu lado.

O meu compromisso é lutar pela sua felicidade. Tenho muito orgulho de você como mulher, filha e em breve como mãe, se Deus assim permitir.

Ao melhor beijo (e amor) do mundo, que comemora 16 anos, obrigado!

Com amor,

Gabriel ana bela

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Quatro Cirurgias e Nenhum Funeral”

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Como dizem por aí, o ano só começa após o carnaval. E para mim não foi diferente. Não que os 2 primeiros meses não tenham sido intensos, pois em tão pouco tempo tivemos o nascimento da Ana Clara, minha nova sobrinha, e a notícia de câncer de minha mãe, que agora em primeira mão comunico: JÁ VENCEU!! Não é uma força de expressão, mas uma constatação clínica: a cirurgia foi tão bem sucedida que ela está CURADA do câncer, e não precisará sequer de quimio e radioterapia para consolidar o tratamento. É Deus agindo mais uma vez grandiosamente nas nossas vidas.

Vencida esta etapa, a missão de Deus agora será literalmente a de “operar” em nossas vidas. Sim, nada menos que 4 cirurgias em sequência.

A primeira delas a instalação de uma prótese de quadril na perna esquerda. Tive decretada a “morte” da cabeça femoral, e assim como um carro usado, é hora de trocar por uma “brand new”. Segue imagens de como será o Projeto “Robocop” 2017:

protese

Tem uma parte curiosa nessa história. Isso porque meu amigo e médico Leandro Bragante, o papa (e o cara) das próteses de quadril, disse que um dos modelos que poderia optar tinha 5% de chances de ficar fazendo um rangido. Na hora de sentar “nhec”, na hora de levantar “nhec”, na hora de namorar “nhec, nhec,  nhec”. Pensei cá com meus botões: “Tem outra não, chefe??” Sim, havia outra, que substitui a cabeça do fêmur por uma “peça” (vamos chamar assim) de cerâmica e a haste de polietileno (plástico, para os “ingnorantes” como eu), evitando os constrangedores atritos. Como eu sei que 5% para mim tem sido muito, por respeito profundo à Lei de Murphy, preferi a opção “desNHECada”.

A primeira cirurgia será na próxima terça-feira, 7/3, e aí que entram – literalmente – vocês:

Isso porque como minha imunidade não é uma BRASTEMP, minha médica em São Paulo recomendou 2 transfusões antes de “entrar na faca”.

Peço humildemente que quem puder fazer a doação de sangue e plaquetas esta semana no Hemocentro de Uberlândia, o faça, não só para repor as bolsas que serão disponibilizadas, mas especialmente para reforçar o estoque do Hemocentro, que está no nível “Cantareira” em razão do Carnaval (redução da oferta e aumento da procura). Quem for, se puder, mandar uma foto para contato@salvemaisum.com.br com o símbolo da nossa campanha, como o fazem nossos apoiadores, e que funcionam como forte instrumento para mobilizarmos mais pessoas. Nada melhor que as imagens. Põe na tela:

doadores

Você que não é de Uberlândia, e ainda não é um doador frequente, aproveite a deixa para fazer a sua doação na sua cidade. Os estoques estão baixos no país inteiro. Indicador pra cima, e vamos à luta! Oportunidade ideal para agradecer demais o carinho e dedicação que o pessoal do Hemocentro sempre teve comigo, em especial nos últimos dias pelo empenho da Ludmilla e do anjo Dr. Elmiro em relação a minha situação. GRATIDÃO, é a palavra.

Voltando às operações, após recuperação, terei que fazer também a prótese na perna direita, pois a abençoada da cabeça do outro fêmur também já está no CTI, graças ao uso prolongado de corticoides, lembram? https://transplantando.org/2016/08/04/corticoide-heroi-ou-vilao/

O fato é que, trocados os “amortecedores”, a próxima revisão será daqui uns 40 anos ou 40 mil quilômetros, o que vier primeiro. Hahaha. Brincadeiras à parte, a durabilidade deste tipo de prótese realmente pode ser para o resto da vida. O tempo de recuperação pós-cirúrgico varia, mas em não muito tempo estarei na ativa novamente. Quem tiver curiosidade para entender mais sobre próteses, segue o link: http://www.quadrilcirurgia.com.br/tipos-de-proacuteteses.html

E as outras 2 cirurgias? Não eram 4? Pois é, resolvi conhecer as Cataratas, não as do Iguaçu, mas a que se entende pelo Cumpadi Aurélio como “opacidade parcial ou total do cristalino ou de sua cápsula”.  Não melhorou? “Neblina nos zóio” talvez seja a tradução mais clara.

Também decorrente do uso de corticoides, as cirurgias da catarata, assim como as da osteonecrose, tem que ser divididas em 2 por segurança, 1 olho por vez.

O plano de saúde quer autorizar a lente monofocal, que me demandaria limitação permanente de leitura para perto. Como a minha indicação é para melhorar a visão, e não para piorá-la, está indicada a lente multifocal, que corrige a catarata e mantém a boa visão que tinha antes da indesejada visita nublada. Estas últimas são cirurgias mais simples, de recuperação rápida. Ah, sabem quanto custam estas lentes? Os olhos da cara…

Então é isso. Lembrando o clássico “Quatro Casamento e Um Funeral”, aqui seremos “Quatro Cirurgias e Nenhum Funeral”, até porque assim como as outras 18 doenças que tive após o transplante em razão da nova imunidade, estas são “fichinha” perto do que já ficou para trás. É redobrar a fé em Deus, organizar a vida e partir para o abraço. Conto com a (do)ação e  (or)ação de vocês! #salvemaisum #oncoguia #ação

gabriel